sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carta ao Reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe.

Aracaju, 30 de abril de 2010.


Magnífico Reitor,

Sou discente do curso integrado de Eletrônica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe – Campus Aracaju. Instituição que hoje sofre um processo de transformação (de CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica para Instituto Federal), mas que também sofre pelos problemas que, infelizmente estão enraizando-se.


Durante vários dos seus cem anos, essa instituição foi modelo de excelência para instituições de ensino de todo o estado, e estudar nela era o sonho de vários alunos de todo o estado de Sergipe; alunos que como eu, escutavam que “...fazer um curso lá é a certeza de um emprego garantido...”. Mas nos últimos quinze anos, essa grandiosa instituição vem sofrendo com problemas que, apesar de não serem numerosos, são graves.


Os problemas na estrutura física são visíveis; não que as paredes estejam caindo, ou o teto esteja desabando, mas o sucateamento de equipamentos, portas e cadeiras quebradas, ar-condicionados quebrados, salas de pesquisa abandonadas e o a não renovação do acervo da biblioteca foram alguns dos problemas com os quais deparei-me quando ingressei na instituição, em 2007. Também recebi com estranheza uma instituição desse porte, ter um refeitório bem equipado e mantê-lo fechado. Todos esses problemas prejudicam e muito o desempenho dos alunos, dos quais muitos têm que ficar dois turnos e muitas vezes alimentam-se de maneira inadequada ou sequer isto.


Mas acredito que o maior dos problemas não está na estrutura, mas sim na filosofia de ensino enraizada na instituição. Apesar de estarmos em pleno século XXI, em um mundo globalizado onde os alunos são muito mais interativos, muitos professores se negam em aperfeiçoar suas técnicas de ensino e adaptá-las a uma nova realidade, impondo de forma autoritária formas obsoletas de ensinar. Esses mesmos professores, sequer admitem criticas ou opiniões às suas aulas fazendo com que os alunos fiquem presos a uma visão restrita (e algumas vezes equivocada) sobre algumas matérias, e essa situação infelizmente não é restrita a uma pequena parte dos docentes, e chega a atingir até os professores recém chegados. A maior prova disso são quadros interativos adquiridos pela instituição (e que com certeza custaram muito) estão encostados nas salas, e quando são utilizados, não utilizados da forma correta, onde houve casos em que professores chegam a escrever com pincel nesses quadros. Docentes que muitas vezes entram na sala de aula apenas para discursar, falar de política e criticar a gestão e que, sem critério algum aprovam alunos que posteriormente prejudicam a imagem da instituição. Esse realmente é um problema que exige e muito de vossa magnificência, pois, não se pode simplesmente mudar a “filosofia” de uma pessoa, mas também é inadmissível que essa postura anti-profissional espalhe-se e torne-se um habito na instituição. É necessário pulso firme e até advertência para profissionais que se portem dessa maneira. Mas compreendo que não é fácil e que, essa transformação não será instantânea. Uma forma de atenuar esta situação seria dar aulas aos professores, de forma que os professores participassem de palestras sobre didática atual e dessa maneira tentar inserir o professor em um contexto atual.


Imagino o quanto seja difícil administrar um Instituto Federal e entendo que a inominável burocracia impediu e impede vários avanços estruturais e que, apesar disso vejo que nos últimos anos houve uma melhora significativa, principalmente na estrutura física: reforma da quadra desportiva; biblioteca com acervo renovado, reforma das dependências do Instituto. Mas é preciso mais. É preciso incentivo a pesquisa científica, mas não ficar preso ao PIBIC – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica; a instituição deve criar outros mecanismos como competições semelhantes à Olimpíada do Conhecimento promovida pelo SENAI para motivar o aluno à pesquisa.


Também é de extrema importância que vossa magnificência reestruturasse o curso técnico de Eletrônica. Um curso que já foi um dos mais concorridos e modelo de organização e didática, mas que hoje se depara com uma situação completamente diferente. Hoje esse curso, que já foi um dos mais tradicionais dessa Instituição, não tem sequer coordenador. Não que um coordenador vá resolver todos os problemas, mas não existe organização e reformulação em um curso que é na sua essência inovador. E todos os problemas do curso têm como reflexo a alta taxa de desistência e repetentes entre os alunos. É necessária uma aproximação de vossa magnificência para a reformulação desse curso. Isso pode até soar como um pedido pessoal, mas quero que compreenda a solicitação de um aluno apaixonado pelo seu curso, e que tenta de varias formas ajudar a reerguer esse curso. E esta reformulação passa pelas parcerias com empresas da área, que devem ser feitas para que sinta-se motivado em estudar, pois, com certeza a empresa vai requisitar os alunos da instituição da qual ela é parceira o que nos faz voltar àquela questão do prestigio que a instituição tem que recuperar, para que nós possamos dizer que fazer um curso técnico no IFS é certeza de emprego (ou pelo menos grandes possibilidades). E isso pode e deve servir de exemplo para outros cursos.


Escrevo esta carta em um período eleitoral, onde decidiremos quem será o novo reitor, por isso não sei para quem escrevo esta carta. Mas acredito (e espero) que vossa magnificência entenderá os motivos que me levam a escrevê-la. E espero que seja quem for que leia esta carta honre o voto de confiança que a instituição vos deu e promova o avanço educacional, estrutural e tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe.


Atenciosamente,

Jardel Santos Nascimento.