No vídeo acima, o ministro da Educação, Fernando Haddad, faz a defesa de seus planos para a educação: elevar a carga horária dos alunos de escola pública.
O ano letivo da garotada das escolas privadas (mil horas) é 25% maior que o da meninada remediada da rede pública (800 horas).
Munido de estudo, Haddad avalia que vem daí, em grande medida, a “diferença de desempenho” entre o estudante privado e o público.
O ministro conclui: “Temos que ampliar o tempo em que o estudante brasileiro [da rede pública] fica exposto ao conhecimento.”
Mas será que a enorme diferença apresentada pelo resultado do ENEM é fruto de uma menor “exposição ao conhecimento” do jovem da rede pública??!! Talvez, mas com certeza não é o maior dos problemas.
Mais tempo de escola é ninguém é contra. Resta responder: para quê?
Elevar a cota de "exposição ao conhecimento?" No grosso das escolas, dá-se coisa muito diferente. Salvo raras exceções, os jovens ficariam expostos a muito pouca coisa. Alguns pais até ficariam aliviados por ter seus filhos mais tempo nas escolas, mas o aproveitamento estudantil seria muito pouco levando em consideração que algumas escolas ministram muito mal as já “poucas” 800 horas.
Resumindo, elevando-se a carga horária, o aluno da rede pública vai dispor de mais 200 horas anuais para usufruir de um currículo defasado, ministrado por professores insatisfeitos, dentro de instituições mal estruturadas.
