domingo, 26 de fevereiro de 2012

O efeito Serra.


A entrada de Serra no jogo eletrificou o tabuleiro político de São Paulo. E agora todos os partidos terão que reposicionar suas peças para o embate municipal.

O PT foi um dos prejudicados, mas não foi o único. O PMDB do vice-presidente Michel Temer também prevê prejuízos à candidatura de Gabriel Chalita. Fora isso existem vários fatores que tornam a disputa por São Paulo um jogo de xadrez complexo. Abaixo, vai um resumo em tópicos que explicam o efeito que Serra causa na política com o anuncio de sua pré-candidatura.

 
1.  O isolamento do PT e Haddad: faltando pouco mais de cinco meses para o inicio da propaganda eleitoral, o PT não conseguiu atrair nenhum partido para a coligação de Haddad. Entre os principais governistas, o PMDB não quer desistir de Chalita, o PTB também pretende lançar candidatura própria.  

O PDT aproxima-se do governador Alckmin através do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical. O PP de Paulo Maluf já está fechado com o PSDB. O PSB e PR tendem a apoiar o candidato seguido por Gilberto Kassab.


2.  Reposicionamento de Kassab: com Serra na disputa, Kassab encerra as negociações com o PT e se torna o maior entusiasta da campanha pró-Serra.
Assim, Serra irá dispor das máquinas municipal e estadual.


3.  O PMDB tem que fazer contas: antes era dada como certa a aliança entre DEM e PMDB, algo que renderia a Chalita cerca de 8 minutos de TV para tentar conquistar o paulistano. Com Serra na disputa, o DEM tende a entrar na chapa tucana. Assim ocorrendo, além do prejuízo de TV (os três minutos do DEM), Chalita se verá engolido pela polarização PT-PSDB.



4.   Conexão Minas: o tucano Aécio Neves é um personagem invisível da disputa de São Paulo. Torce pelo êxito da candidatura municipal de Serra mais do que o próprio Serra. Imagina que, elegendo-se prefeito, seu inimigo cordial será compelido a enterrar o projeto presidencial. Derrotado, aí mesmo é que seria expelido do palco nacional. Algo que faria da frase de FHC –“Aécio é o presidenciável óbvio”— uma quase realidade.


5.  Força para Alckmin: sem Serra, Alckmin iria à sorte dos votos representado por um dos quatro pré-candidatos tucanos muito mal colocados nas pesquisas: Bruno Covas, Andrea Matarazzo, José Aníbal e Ricardo Tripoli. Uma eventual derrota seria debitada ao governador, não ao candidato.
Com Serra, Alckmin aborta o vôo de Kassab, complica a vida do PT e tenta evitar sobressaltos prematuros ao seu projeto reeleitoral de 2014. Se der certo, o tucanato conserva a hegemonia em sua principal cidadela. Se der errado, o infortúnio será atribuído mais ao candidato do que ao governador.

6.  Tudo ou nada para Serra: o ex-presidenciável de 44 milhões de votos, Serra volta-se para São Paulo depois de ter sido excluído do PSDB federal. O desprezo o estimula a jogar, numa única mão de cartas, seu futuro político. Retornando à prefeitura, ganha um mandato e o terceiro orçamento da República. Recobra a voz que lhe sonegam. Derrotado, mantém-se no limbo a que foi relegado. Melhor a tentativa do que a autoflagelação.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

A volta dos que não foram... Serra será candidato.




Depois de semanas de especulações, depois de apelos de seus correligionários, depois da insistência do governador Geraldo Alckmin e depois de deixar todo o cenário politico de São Paulo sob expectativa, parece ter chegado ao fim a novela do ‘quase-quem-sabe-veja-bem-talvez’ candidato a prefeito José Serra.

Depois de horas conversando com o governador Alckmin, o prefeito Kassab e seus aliados, Serra começou a articular as bases de sua pré-candidatura. Serra ainda não fala publicamente, mas Kassab já anunciou a todos a decisão tomada. “O importante é que o José Serra se definiu. Ele quer ser prefeito de São Paulo", disse Kassab. O PSDB federal também já confirma a informação e disse que Serra conversará com os outros pré-candidatos do PSDB.

As prévias estão marcadas para o dia 4 de março, mas o direção do partido já fala em adiar para junho, para que Serra tenha tempo para articular a campanha.

Obviamente, a disputa paulista ganha eletricidade máxima, e agora, haverá um reposicionamento de todos os partidos. Isso mostra que Serra ainda tem força, pelo menos no cenário paulista. Antes renegado pelo partido no âmbito federal, agora ganha fôlego sendo abraçado pela força municipal e estadual.

É fato que entrando no páreo, Serra se torna o favorito tanto nas prévias quanto na disputa paulista, porém terá que enfrentar velhos fantasmas: a alta rejeição e a duvida de seu projeto político. 

Kassab disse que o projeto presidencial de Serra foi enterrado pelo ex-governador. Será?, se perguntarão os eleitores. Será mesmo?, insistirão os opositores. O fato é que Serra terá que convencer o eleitorado que seu Projeto-Planalto foi enterrado e sepultado, e isso determinará sua chance de vitória.

Será que ele vai conseguir?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O enigma da oposição


Em artigo veiculado neste domingo (5), Fernando Henrique Cardoso escreve sobre o drama da oposição: a falta de disposição para se opor. O texto mais parece um puxão de orelhas.

Presidente de honra do PSDB, FHC menciona José Serra como alternativa presidencial. Embora elogie o amigo –“o mais conhecido e denso”— utiliza-o como um contra-exemplo. “Não conseguiu deixar claro em 2010 sua mensagem”, anota.

Ao citar Aécio Neves, reafirma o que dissera em recente entrevista à revista The Economist. Trata-o como “mais óbvio provável candidato”. Por quê? “Graças à posição eleitoral dominante” em Minas Gerais e “ao seu estilo de fazer política.” Desde FHC que todos os que ganham em Minas são eleitos para presidente.

Em seguida, como que ecoando dúvidas que se espraiam por toda a oposição, FHC afaga. “Aécio Neves está em fase de teste”, ele escreve. Pergunta: “Transmitirá uma mensagem que salte os muros do Congresso e chegue às ruas?”. 

Tudo isso soa como um recado à oposição, que está perdida em seus próprios problemas. Além de não terem um discurso sólido, a oposição agora enfrenta a própria desconstrução. O ano de 2012 indica, pelo menos até agora, que a oposição está dividida e com perspectivas pouco amistosas para 2014. 

Serra, apesar da grande rejeição interna, é o único tucano que faz oposição de verdade ao governo Dilma. Aécio parece que não sabe fazer oposição, ou no mínimo acha que pode agregar o ascendente PSB num futuro próximo.

Em três interrogações, FHC resume o que chama de “enigma” da oposição: “O que queremos? Ganhar as eleições? Mas para quê?”. 

Sabemos que uma democracia sem oposição não é democracia, e este será um ano decisivo para a oposição mostrar que não foi “extirpada” e que pode sim mostrar ao povo que um país é muito mais que crescimento do PIB. 

Em tempo, Aécio Neves parece ter escutado os clamores dos colegas oposicionistas e na abertura do Legislativo de 2012 se posicionou um pouco mais firme em relação ao governo. Quem sabe ele escute o conselho de FHC...



Leia a íntegra do artigo Crer e Preservar.