terça-feira, 27 de julho de 2010

Pra acabar com essa discussão!

       Agora, muitos acham que Felipe Massa transformou-se no segundo piloto da Ferrari no Grande Prêmio da Alemanha. Porém, acho que o que aconteceu em Hockenheim só evidenciou um fato que já estava consumado há algum tempo. Afinal, após três provas consecutivas ele não pontuou por má sorte e má performance em treinos de classificação.

       Fernando Alonso conquistou na pista, seja com atitudes leais ou não, um domínio sobre Felipe após 10 etapas. Foi mais rápido na maioria dos treinos de classificação, mostrou um bom ritmo de corrida e driblou a dificuldade em aquecer pneus com seu estilo de pilotagem. Em suma, foi mais eficiente. Simples assim.

       Em Hockenheim, a Ferrari chegou com uma grande desvantagem em relação aos rivais. Porém, o carro vermelho, como disse Lewis Hamilton no sábado, vinha em crescimento e já há algumas corridas era melhor. A Ferrari se via com uma chance de ouro para crescer no campeonato de Construtores, mas tendo apenas um para apostar no campeonato de Pilotos. Isso não era difícil para ninguém visualizar.

       Para Massa seria complicado reverter o cenário pela simples questão matemática. Imaginem se pensarmos que ele ainda teria os problemas de pneus quando fossem utilizados os macios e os duros, ou ainda se fizer frio nos próximos GP’s. Ou seja, a Ferrari claramente não poderia contar com ele. E aqui cabe uma reflexão.

       Corrida após corrida, Alonso se impôs e naturalmente ganhou a condição de piloto número um da equipe de Maranello. E ganhou isso na pista. Claro que há interesses comerciais. Mas saibam, a Ferrari simplesmente optou por quem rendeu mais em 2010.

       Os danos a imagem de Massa são definitivos? Acho que na vida pouquíssimas coisas são definitivas. Hoje Rubens Barrichello, ainda que marcado pela sua passagem na Ferrari, tem sua imagem bem mais positiva que antes.

       Só resta uma única escolha para Massa. É rezar para que 2010 acabe logo, até porque, novas situações constrangedoras irão acontecer. A única certeza que ele pode ter agora, é que só ganhará uma corrida este ano quando Alonso não estiver imediatamente em suas costas.

       Não tenho duvidas que o GP do Brasil terá sua pior audiência em anos, e que com certeza haverão protestos e reclamações contra o brasileiro.

       Certo ou errado, esportivo ou não, para salvar seus pescoços Stefano Domenicali e os ferraristas mandaram Massa para o espaço e ele acabou virando chacota nacional. Agora, ao brasileiro cabe levantar os cacos e tentar pegar o que sobrou de sua honra. Não será nem um pouco fácil. Ele está sozinho agora.
      
       O que faltou em atitude em Massa, sobrou em Alonso. Esse papo de equipe serve apenas no discurso furado de alguns pilotos, como Alonso. Na prática é na pista que se resolve. E o espanhol sabe bem disso, tanto que fez o que tinha de fazer na pista e fora dela para destruir Massa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Esporte ou "Circo"?

          O dia 25 de julho de 2010 marca mais um dia tenebroso para a historia da Fórmula 1. Parecia replay de um triste filme. Quem não se lembra do ocorrido no GP da Áustria onde após ser o mais rápido em todo o fim de semana, o piloto Rubens Barrichello recebeu ordens da equipe Ferrari para deixar Michael Schumacher ultrapassá-lo próximo a linha de chegada. Episódios que se tornaram emblemáticos neste esporte desleal.

          Uma competição em que homens correm em desigualdade de condições e a máquina decide muito mais que o piloto.

          Vibramos com títulos de falsos heróis que geralmente tiveram condições muito superiores aos adversários.

          Tantas vezes vemos um piloto conquistar o título em um ano e no seguinte freqüentar o pelotão intermediário em quase todas as provas. Perdeu porque piorou? Não, simplesmente porque o carro já não é o melhor.

          Há pilotos brilhantes que passam a vida criticados porque nunca tiveram a sorte de contar com o melhor carro. Não sou especialista e estou aberto a argumentos contrários, mas segundo o que li o tão criticado Mansell – o desastrado, o destruidor de carros – foi depois campeão da F-1 (1992) e da Fórmula Indy em 1993, em seu ano de estréia da categoria.

          Geralmente a F-1 é uma disputa limitada a pilotos de uma ou duas grandes equipes, que competem com máquinas equivalentes, como vimos nas inesquecíveis disputas entre Senna e Prost, como em 1988, quando a McLaren venceu 15 das 16 provas (oito vitórias de Senna, sete de Prost e uma de Berger da Ferrari).

          Mas até o prazer de ver belas disputas está sendo tirado quando marmeladas como a que ocorreu ontem; mais uma vez comandada pela Ferrari.

          De repente uma voz do além surge e diz: "Você não vai vencer esta corrida...". Essa voz vem dos boxes. E aí sim o homem decide uma corrida. Decide fora da pista.

          O que aconteceu em Hockenheim foi uma vergonha!

          Mas o cinismo continua incrível. Enquanto o pódio sem graça acontecia, Luca Colajanni, assessor de imprensa da Ferrari, ficou nervosinho ao ser questionado sobre jogo de equipe. "Apenas dissemos que Fernando estava mais rápido. Você deveria aprender inglês", disse, nas rádios Bandeirantes e BandNews FM.

          Mas não pensem vocês que Felipe Massa é vitima nessa historia. Ele é tão culpado quanto a Ferrari. Aceitou sem questionar. Pelo menos o Rubens questionou, hesitou, o que não diminui o erro, mas demonstra mais sangue nas veias, mais humanidade.

          Claro que depois de alguns desordeiros as equipes da F-1 tomaram medidas contratuais para que seus pilotos aceitem ordens da equipe para evitar determinadas situações como no GP Brasil de 1981, quando o argentino Reutemann recebeu uma ordem de Frank Williams para abrir caminho para Alan Jones apenas na segunda prova daquela temporada. Apesar dos apelos dos boxes, Reutemann não cedeu. Cruzou a linha de chegada em primeiro, 4s43 à frente de Jones. Pelo resto da temporada, a dupla da Williams continuou a se digladiar. O resultado foi péssimo para o time. Enquanto Reutemann e Jones dividiram a pontuação ao longo do ano – levaram 49 e 46 pontos, respectivamente – Nelson Piquet, da Brabham, foi campeão com apenas 50 pontos.

          No ano seguinte, a história se repetiu. Mas na Ferrari, que havia eleito Gilles Villeneuve como primeiro piloto, tendo Pironi como coadjuvante. Na quarta etapa do campeonato, o GP de San Marino, Pironi e Villeneuve iniciaram uma disputa agressiva pela liderança. Preocupada, a Ferrari mandou o francês se manter na segunda posição. Pironi não só desobedeceu como foi desaforado: ultrapassou Villeneuve na última volta e venceu. A rivalidade teve um resultado trágico. Nos treinos para a corrida seguinte, na Bélgica, o canadense morreu ao bater no March de Jochen Mass enquanto tentava superar Pironi. Seis corridas depois, a dupla da Renault também passou por uma situação de insubordinação. Arnoux liderava sua corrida de casa, o GP da França, em Paul Ricard, quando recebeu ordem para ceder a ponta para seu companheiro, Alain Prost. Animado com a possibilidade de conseguir sua terceira vitória, o francês se fez de desentendido, acelerou ainda mais e venceu com 17s308 sobre Prost.

          Tudo isso mostra que na F-1 e na vida profissional em geral, você tem que se impor. Mostra que tem que ser respeitado. Alonso se impôs como o piloto número um da Ferrari, e está sendo tratado desta maneira. Parabéns para ele. Não que ele seja um exemplo de vida, mas mostrou a postura de um homem vencedor, que não tem medo de criticas e que busca a vitória se impondo como o único que pode consegui-lá.

          Massa precisa aprender que se ele não se impuser como fez o australiano Mark Webber da RBR, ele jamais passará de um coadjuvante. Essa desculpa de que "Sou um homem de equipe..." é pura balela. Por ser homem de equipe, Nelsinho Piquet bateu o carro no GP de Cingapura, em 2008.

          A F-1 está cada vez mais mecanizada e ridícula. E nesse circo de ilusões e manipulações os únicos palhaços são os espectadores que dão prestigio a esta categoria que cada vez menos tem o direito de ser chamada de esporte.

domingo, 18 de julho de 2010

Bill Gates X Linus Torvalds.

Recentemente estive lendo algumas frases dos grandes intelectuais do sistema operacional: Bill Gates (o fundador da Microsoft) e Linus Torvalds (criador do Kernel do sistema operacional GNU/Linux, muitas vezes chamado simplesmente de "Linux"). Particularmente, achei o Linus mais solto e engraçado. Já o Bill é muito ponderado e politicamente correto.

Bill Gates

Spam:

“Como quase todo mundo que usa e-mail, eu recebo muito spam todos os dias. A maior parte deles oferece ajuda para me tirar das dívidas ou ficar rico rapidamente. Seria engraçado se não fosse tão irritante.”

Xbox e o mercado de games:

“Conseguimos uma boa credibilidade, e mostramos que estamos falando sério sobre esse negócio.”

Blu-ray:

“Este é o último formato de mídia física que vai existir.” (Foi o que disseram quando criaram o DVD)

Mais rico do mundo:

“Eu preferia não ser. Não há nada de positivo nisso.” (Eu vejo)

Internet x TV:

“Algumas coisas, como as eleições e as Olimpíadas, realmente mostram como a TV é horrível. É preciso esperar o cara falar sobre o que nos interessa ou se perde o evento e se tem vontade de voltar para vê-lo.”

Filhos no computador:

“Meu filho perguntou se ele teria limites como esse por toda sua vida. Eu respondi: ‘não, quando você sair de casa poderá definir seu próprio tempo de uso do computador.” (Que pai exemplar, hein)

Políticas de imigração:

“Eu acredito que, no limite do possível, e existem óbvias limitações políticas, a liberdade de migração é positiva.”

Yahoo:

“Podemos arcar com os grandes investimentos em engenharia e marketing que precisam ser feitos. E o faremos com ou sem o Yahoo.” (Mas seria melhor com o Yahoo)

Windows 7:

“Estou muito animado com tudo que o programa fará, de muitas maneiras. Isso acontecerá em algum momento do ano que vem, teremos uma nova versão.”

Potência mundial:

“O fato é que os Estados Unidos têm cinco por cento da população mundial. Em algum momento, teremos 5 por cento de influência mundial, e não há problemas nisso.”

Concorrência:

“A maioria dos nossos concorrentes era muito mal administrada. Eles não entenderam como unir pessoas com experiências em negócios e em engenharia. Eles também não sabiam como se deslocar pelo mundo.”
 
Linus Torvalds


Software gratuito:

“Software é como sexo: é melhor quando é de graça” (Será?!)

Microsoft:

“A Microsoft não é má. Eles só fazem sistemas operacionais realmente ruins.”

Quem sou eu:

“Meu nome é Linus, e eu sou seu Deus.” (Se ele é Deus imagine o que é o Bill Gates)

Competência:

“Veja, não precisa somente ser um bom programador para criar um sistema como Linux. Você precisa ser um maldito bastardo também.” (Concordo plenamente)

Sucesso:

“A filosofia do Linux é ‘Ria na face do perigo’. Ôpa. Errado. ‘Faça você mesmo’. É, é essa.”

Pinguim do Linux:

“Algumas pessoas me disseram que elas não acham que um pinguim gordinho realmente personifica a graça do Linux. O que me diz que eles nunca viram um pinguim furioso correndo atrás deles a umas 100 milhas por hora.” (Um pinguim rápido, hein)

Inteligência:

“Inteligência é a habilidade de evitar fazer o trabalho, e mesmo assim conseguir ter o trabalho realizado.” (Um dia irei aprender isso)

Windows:

“Quando você diz, ‘Eu escrevi um programa que travou o Windows’, as pessoas só olham pra você e dizem, ‘Ei, eu consegui um desses com o sistema, de graça’.” (Consigo isso todos os dias)

Virtualização:

“Eu não duvido que a virtualização seja útil em algumas áreas. O que eu realmente duvido é que isso em algum momento terá o impacto que as pessoas envolvidas com virtualização querem que tenha.”

Kernel:

“Agora, muitos de vocês provavelmente ficarão totalmente entediados durante o feriado de natal, e aqui está a distração perfeita. Testem 2.6.15-rc7 (nota: ele está falando sobre o Kernel do Linux). Todas as lojas estarão fechadas, e não há realmente nada melhor para fazer entre as refeições.”

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Assistindo a decadência da sociedade.

      Sempre que assisto as grandes atrações televisivas, não tenho como evitar uma reflexão sobre como nosso país foi tomado por um humilhante movimento de ignorância quase que coletivo. Mas temos que reconhecer que são os próprios telespectadores, os maiores responsáveis pela completa alienação provocada pelos meios de comunicação.

       A televisão é um meio de comunicação que reflete o mundo, porque representa aquilo que as pessoas querem ver, e que por sua vez mostra o mundo em que vivemos “primitivo, boçal, inculto, movido por sentimentos ridículos”.

      A televisão incita à ignorância social e cultural, quase todos os programas que apresenta (por diversos canais) têm como objetivo o valor das audiências acima da qualidade ou seriedade. A maioria dos programas são mais ou menos iguais e alguns são mesmo decalcados dos outros.

       Claro, a sociedade nunca prestou, sempre foi hipócrita e imbecil. Mas antes da televisão não nos divertíamos com isso. A televisão tornou pobres em idiotas manipuláveis e ricos em manipuladores sórdidos. Vemos a decadência pela TV e achamos graça, rimos, nos divertimos; pobres imbecis, mal sabem que estão rindo de sua própria decadência. Imbecis que se deixam levar por aquilo que a mídia impõe. Um grande exemplo disso são as telenovelas, que infectam nossas vidas com pensamentos e adorações ridículos, desvirtuando todos os preceitos morais e éticos, fazendo apologias de problemas graves; tudo isso em busca de um maior “IBOPE”.

       Um dos grandes assuntos tratados de forma apologética pela mídia é o amor. Tão assustadoramente salientado pela mídia, esse sentimento ilusório é sem duvida o braço forte das besteiras transmitidas via satélite. Esse jogo de “quem vai ficar com quem” atrai milhões de telespectadores para frente da TV. Esses idiotas se envolvem de tal forma nesse jogo “alucinante” que chegam a ofender e até agredir atores que só fazem o seu trabalho, afinal eles ganham por isso. Mas reparem, tudo que passa na TV vira moda. E as pessoas sempre seguem as tendências dos vilões das novelas; tiram o que tem de pior das historias e aplicam em suas vidas. O amor é desculpa para tudo; pode-se matar, roubar, ferir, ameaçar, mentir, tudo por amor. E os imbecis fazem o mesmo; adoram amar, colocam-se em situações ridículas com exposições mais ridículas ainda, de um sentimento que não existe. Isso é amor? Tenho certeza que não!

       Para a maior rede de televisão do país, sempre teremos uma “atenção” especial. O seu papel para desconstruir a moralidade e a ética se revela “esplendidamente” nos roteiros das novelas de horário nobre, em que os temas principais são tomar o homem da próxima e aumentar a angústia de uma sociedade decadente por enfatizar, como fato cultural consumado, a decadência da própria sociedade.

      Esta crítica que sempre fazemos se fundamenta no fato desta poderosa organização dos meios de comunicação não fazer nada de relevante para contestar duramente uma grotesca degeneração dos valores éticos e morais que está apodrecendo o tecido social; as notícias são apenas um negócio, e a absurda crise de valores por que passa o país uma fatalidade contra a qual nada pode ser feito. Insiste em ressaltar o senso comum meliante e criminoso da sociedade, evitando enfatizar adequadamente os verdadeiros caminhos que precisam ser seguidos para que a justiça social e a dignidade possam ser os novos paradigmas dos que exercem posições de liderança e comando nos poderes públicos e privados.

       Infelizmente os heróis do nosso país não são mais os homens e as mulheres de bem que dedicam sua vida tentando salvar o mundo do naufrágio da corrupção, da imoralidade, e da prevaricação do poder público. Os heróis do nosso país não são mais os grandes homens e mulheres que dedicam suas vidas à ciência ou a ajudar os excluídos. Os heróis do nosso país não são mais líderes marcados pela responsabilidade social, pela ética, pela moralidade de seus atos e pela sua honestidade de propósitos. Os heróis do nosso país não são mais os educadores que vivem dentro ou na fronteira da pobreza para continuar tentando salvar crianças e adolescentes da prática da cartilha do banditismo. Os heróis do nosso país são os astros decadentes do BBB. É muito triste é ver a inconseqüência de suas famílias e amigos aplaudindo entusiasticamente para comemorar a saída das vítimas dos paredões da absurda prostituição de valores da casa que virou um símbolo para uma sociedade decadente, imoral e corrupta. Todos querem aparecer nas telas do Plim-Plim, mesmo que sejam esquecidos no dia seguinte. Idiotas!

      Alguns podem estar pensando que sou mais um daqueles “revoltadinhos” que não assistem a Globo. Grande engano! Não pesem que só a Globo faz esse tipo de coisa; todas as outras emissoras também fazem essa lavagem cerebral. Cito a Globo apenas porque é a quarta maior emissora do mundo, e é o exemplo mais forte e próximo que podemos ter.

      Mas ainda me pergunto: “A televisão é um reflexo de uma sociedade medíocre ou a sociedade é um reflexo da mediocridade da televisão?”

      Essa pergunta deixo que vocês respondam.