sábado, 21 de abril de 2012

Marcha 'lenta' contra a corrupção.




            Hoje, em várias cidades do país, a população foi conclamada à participar da Marcha contra a corrupção. A indignação nas redes sociais com as atitudes de nossos representantes era tanta, que parecia ameaçadora: “Os políticos não perdem por esperar!”, escreveu um dos milhares de usuários da rede. Devo concordar com ele, eles não perdem por esperar... Ganham!

As marchas anticorrupção convocadas para este sábado, batizado de ‘Dia do Basta’, não chegaram a arrastar multidões ao meio-fio. Aliás, já vi mais pessoas em enterro de anão do que em algumas “marchas”.

Em Brasília, onde o ânimo foi maior, a coisa começou na Esplanada com cerca de 1.500 pessoas e terminou na Praça dos Três Poderes com algo em torno de 3 mil. No Rio de Janeiro a coisa foi desanimadora. Aglomerados em frente ao Posto 9, na praia de Ipanema, os manifestantes eram contados em 60 gatos pingados por volta de 11h.

O brasileiro é realmente curioso (na verdade, a sociedade como um todo é curiosa), reclama, xinga, diz que todos não prestam, porém precisamos fazer uma reflexão.

Nós temos a mania de dizer que nenhum político presta, mas fomos nós que os elegemos. Boa parte daqueles que reclamam da corrupção, só reclamam por despeito, se estivessem lá fariam o mesmo. Quantos exemplos temos de pessoas que brigavam por igualdade e contra a corrupção e, que hoje eleitas, fazem o mesmo ou pior?

Brasileiro reclama de corrupção mas esquece que vendeu o voto, esquece que fez ‘boca de urna’, esquece que foi ele que votou e elegeu esses que aí estão.  Mais ridículos são esses ‘suprapartidários’, que defendem seus partidos acima de qualquer coisa e não olham para o próprio umbigo, e isso não é visto só pelos que são filiados, vê-se muito disso em bares e redes sociais.  Como esses podem cobrar da atual conjuntura se só enxergam defeitos nos outros.

Um belo exemplo é como os homossexuais se reúnem para reivindicar seus direitos. Conseguem reunir mais de um milhão para se transvestirem, inventar personagens e fazem as maiores loucuras. Por que o mesmo não se faz em uma situação tão importante da nação?! 

É incrível como as pessoas se revoltam, reclamam nas redes, dizem que ninguém presta, mas não fazem nada para mudar a situação. Adoram reclamar em suas poltronas, de longe...

Mas para compreender a corrupção brasileira é preciso mesmo um certo distanciamento. Alguns poucos distanciam-se abrindo contas em paraísos fiscais. Outros tantos tomam distância fugindo para a omissão.

terça-feira, 3 de abril de 2012

terça-feira, 27 de março de 2012

Num reencontro de "titãs", FHC visita Lula.





Os caminhos da política são realmente tortuosos. Grandes afinidades muitas vezes se perdem nas curvas acintosas das eleições. Ficam desapercebidas, até esquecidas completamente. E quando menos se espera, se reencontram.

Assim é a história de FHC e Lula...

Nesta terça (27/03), prestes a realizar os exames que atestarão se está mesmo livre do  tumor que lhe invadiu a laringe, Lula recebeu a visita de Fernando Henrique Cardoso. Reencontraram-se nas dependências do Hospital Sírio Libanês.

A cena hospitalar inicialmente espanta, mas espanando a poeira que recobre o passado escondido nos fundões da memória, lembramos que antes da histórica rivalidade, os dois já estiveram muito próximos. 

A lembrança do apoio do sindicalista Lula, em 1978, ao intelectual FHC, às voltas com sua primeira campanha ao Senado. O suplente de FHC, o advogado Maurício Soares, vinha do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Juntos com Lula, distribuíam panfletos numa kombi do sindicato. Nas portas de fábrica, o sindicalista apresentava o intelectual ao povão.

Nessa época, FHC e Lula dividiam ideias sobre a constituição de um partido socialista. Chegaram à primeira encruzilhada. Um preferiu alinhar-se à esquerda do velho MDB. O outro foi fundar o PT.

A opção por caminhos diferentes não bloqueou a amizade. Já no ano seguinte, o intelectual voltaria ao território do sindicalista para solidarizar-se com a primeira grande greve dos tempos da ditadura militar.

Preso em 1980, Lula receberia a visita de FHC. No dia do julgamento pelos militares, o intelectual abraçaria o sindicalista no tribunal. Voltariam a posar sob refletores nos comícios pelo movimento da Diretas Já.

No colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves, separaram-se novamente. Juntaram-se num palanque de segundo turno – Lula X Collor. Achegaram-se novamente nas articulações que levaram ao impeachment de Collor.

A partir daí, tomaram vias paralelas praticamente definitivas. Trocaram farpas nas duas campanhas presidenciais em que FHC prevaleceu sobre Lula, em 1994 e 1998. A transição de 2002 para 2003, pela civilidade, teve a aparência de um novo reencontro. Engano...

Lula impregnou na gestão de FHC o selo de “herança maldita”. Desde então, iniciaram uma rivalidade que contaminou seus partidos, além de discussões com uma oratória radioativa, infestada de expressões tóxicas.

Foi preciso um tumor para reaproximá-los. Ao olhar para Lula, FHC deve ter enxergado um espelho que reflete pedaços de sua própria história. No fundo dos olhos de FHC, Lula talvez tenha avistado uma parceria que a política sucumbiu.

Logo estarão, de novo, em campos opostos. Lula a defender Fernando Haddad, o candidato que “inventou” em São Paulo. FHC irá advogar a causa de José Serra, o candidato que o tucanato escolheu para defender a cidadela de São Paulo da hegemonia do petismo. São mesmo tortuosos os caminhos da política.


Em Alagoas, CQC mostra o jeito cômico do brasileiro de fazer política





Ontem, dia 26/03, o programa CQC apresentou uma reportagem sobre um desvio de cerca de 300 milhões de reais destinados para a folha de pagamento dos funcionários e mais 5 milhões que seriam destinados à construção de uma biblioteca e à compra de seus livros simplesmente sumiram. O que se viu foi um pouco de jeito brasileiro de fazer política.

Os deputados, que nunca sabem de nada, se esquivavam das perguntas jogando toda responsabilidade para a mesa diretora da câmara. Mas nas poucas respostas que obteve, tivemos uma “grande surpresa”. 

O deputado estadual Temóteo Correia (DEM), que é acusado de fazer parte do esquema que desviou os 300 milhões, confessou de forma no mínimo cômica que compra votos. Segundo ele é melhor “ajudar o eleitor com dinheiro” do que “beijar cabeça de menino”. Confesso que a principio não há como não rir da forma como o deputado se entrega. Ele fala tão tranquilamente, mas posteriormente tenta se explicar dizendo que não é bem uma compra, mas que ajuda as pessoas.  

Para completar a palhaçada, no fim da reportagem o deputado estadual Olávo Calheiros (PMDB) – não é mera coincidência, o deputado não tem o sobrenome Calheiros em vão, ele é irmão do senador Renan Calheiros – ao ser questionado sobre o caso, tenta dar um soco no repórter.
    
Ou seja, no Brasil, política é igual a um belo espetáculo trágico-cômico: um “grupo” realiza a mágica do sumiço de verbas; alguns fazem piada de tudo; outros fazem marmelada; e os palhaços nem preciso dizer... mas nesse caso, ao invés de cambalhotas ou malabarismos tivemos um belo golpe de UFC. Se cuida, Anderson Silva, Calheiros vem aí.