sábado, 6 de novembro de 2010

Mais uma no ENEM!


                Passada a confusão com o furto das provas no ano passado, pensou-se que neste ano o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) teria uma organização quase que impecável. Não foi o que aconteceu. Mais uma vez a organização deixa a deseja, e muito.

            Segundo reportagem do site UOL, candidatos em pelo menos três capitais relatam que os títulos das áreas de conhecimento estavam trocados na folha de respostas. O MEC confirma que os cabeçalhos dos gabaritos não coincidiam com os cabeçalhos dos cadernos de provas - na folha de respostas as questões de 1 a 45 eram de ciências humanas e suas tecnologias e no caderno de provas essas perguntas correspondiam à área de ciências da natureza e suas tecnologias. Segundo o MEC, os alunos foram orientados a respeitarem a ordem das questões. Ainda segundo a assessoria de imprensa da pasta, "não houve prejuízo aos candidatos". Questionado se haveria algum tipo de acréscimo de tempo no exame por causa dessa ocorrência, o ministério afirmou que "não se considera" essa alternativa uma vez que "a prova não parou".

            Além disso, pude presenciar pessoalmente mais um erro gravíssimo cometido pela organização: a prova Amarela continha erros de impressão. Questões duplicadas, ausência de algumas questões, erros que não podem ocorrer em um exame desta magnitude. O presidente do Inep, Joaquim José Soares Neto, confirmou em coletiva de imprensa, em Brasília, erros de impressão em alguns lotes do caderno amarelo. O Inep ainda não sabe informar qual foi a porcentagem de cadernos. Ele prometeu uma apuração interna para levantar informações com precisão. Mal sabe ele que interrupções a todo o momento também atrapalhavam os estudantes na escolha das respostas.

            Em pensar que foi montado um mega esquema de segurança, que para muitos chegou a ser ridículo. Celulares desligados tudo bem, mas a não utilização do lápis e borrachas é demais; não se podia nem estar com uma chave na mão. O que? Vamos abrir as respostas? 

            Novamente quem paga são os estudantes que se prepararam durante tanto tempo, que tiveram que passar por este esquema de segurança para sofrer com erros ridículos. Um conselho aos organizadores do ENEM: da próxima vez se preocupem mais com a segurança e organização das provas do que com a cola dos estudantes.

*Corrigido.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

"O parlamento dos sonhos"

Agora eleita presidente, Dilma terá a sua disposição o parlamento que Lula sonhou e sempre quis ter: uma oposição quase dizimada.

Lula, que durante seus oito anos de mandato, apesar de não ter uma oposição que maciçamente lhe incomodava, tinha em alguns ícones algumas dores de cabeça. Inimigos mortais como os senadores Marco Maciel (DEM-PE), José Agripino (DEM-RN), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) que chegou a dizer que o presidente era “idiota ou corrupto”, entre outros que faziam uma oposição mais veemente. Pois bem, Lula tratou de passar um rolo compressor por cima de seus adversários, quis deixar para Dilma um congresso controlado pelo PT e pela base aliada. Usando a maquina governamental e um belo aparato de propaganda, Lula fez campanha contra seus adversários.

Dos poucos sobreviventes do rolo compressor, restaram o senador reeleito José Agripino, os senadores e Flexa Ribeiro (PSDB-PA), além dos goianos Lúcia Vânia (PSDB-GO) e Demóstenes Torres (DEM-GO). Todos sendo fortalecidos pelo apoio dos candidatos a Governador vencedores.
Vejam como fica o quadro de senadores em 2011:

 
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que será líder do partido no Senado a partir de 2011, admitiu que a complacência da oposição com o atual presidente Lula favoreceu a alta popularidade alcançada pelo governo e a transferência de votos para Dilma Rousseff (PT), contribuindo para a derrota de José Serra (PSDB) na eleição presidencial. Álvaro espera que a próxima bancada de oposição, embora menor, seja mais contundente.  "Não podemos ser tão drásticos a ponto de afirmar que não houve oposição. Houve sim, mas não conseguimos dar volume a essa oposição. Ficou desigual a proporção do apoio com a oposição. Aí, é claro que prevalece, uma mentira repetida insistentemente acaba tornando-se verdade. Agora, a oposição vai ter que aprender com os erros, se organizar melhor e fazer uma oposição ativa, mais contundente", disse.

Na câmara de deputados a situação não é diferente. E agora temos um integrante ilustre: Tiririca. Virou noticiário internacional: “O palhaço que faltava no parlamento brasileiro”.

Desenhado o cenário desta forma, o governo Dilma é obrigado a fazer as reformas necessárias para o Brasil. Reforma tributaria, reforma política, reforma agrária, todas essas são de extrema importância para o país e foram deixadas de lado pelos governos anteriores, apesar do governo Lula ter desperdiçado ótimas oportunidades de alavancar as reformas. Agora, Dilma só não faz se não quiser!

Contudo, a diminuição da oposição pode trazer riscos ao governo Dilma. O PMDB é um partido ambicioso e já disse que quer manter a presidência da Casa. Dilma está nas mãos do PMDB, e sem oposição, eles podem fazer o que quiserem. Isto pode colocar em risco todo um processo de reforma política. A maioria das pessoas se esquece que a oposição não está ali para atrapalhar, mas para fiscalizar o governo e propor novos caminhos. Com a oposição dizimada não existirá fiscalização, e se com fiscalização tivemos mensalão, aloprados, corrupção na Casa Civil entre outros, imaginem agora o que vai ocorrer?!

Espero que não ocorram mais casos em um Congresso que é motivo de vergonha para o país. Mas a situação é muito preocupante. Espero que o parlamento dos sonhos de Dilma, não se transforme em um pesadelo para o povo brasileiro.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma é a nova presidente.





          Dilma Rousseff é eleita a primeira mulher presidente da República Federativa do Brasil. Ela será a 40° presidente eleita na historia da democracia brasileira.

            Terminada a apuração Dilma obteve 56,05%, exatos 55.752.529 votos, contra 43,95% de Serra, somando 43.711.388 de votos.  Com 4.689.426 de votos nulos, 2.452.597 de votos brancos e uma abstenção recorde, 29.197.055 de eleitores não votaram, cerca de 21,5% do eleitorado. E isso é fácil de entender.

Em uma campanha que não empolgou nenhuma das partes envolvidas, fica a sensação que elegemos um ponto de interrogação, uma pessoa que jamais foi eleita democraticamente consegue em sua primeira tentativa o posto mais alto do executivo. Guinada pela “maquina Lula”, o eleitor optou, na verdade, por uma incógnita.  Se Dilma tem qualidades, só o tempo dirá, pois, elas não foram expostas na campanha. Ela preferiu vender a (falsa) imagem de uma supergerente. A Dilma da campanha coordenou todos os ministérios com rédea curta. A Dilma da vida real não sabia que seu braço direito, Erenice, estava envolvida com tráfico de influência. 

Serra não fica atrás. Com toda sua experiência política, não conseguiu transformar seu currículo eleitoral em prova de competência. Durante a campanha, oscilou de elogios a Lula à criticas tardias ao governo, da vergonha de FHC à defesa acanhada do legado tucano, da denúncia feroz à justificativa das próprias fragilidades. Igualmente a Dilma, Serra inspirou mais duvidas do que certezas, apenas com uma ressalva, Dilma dispunha de uma maquina feroz e amoral que fez de tudo para elegê-la: Lula.

Em uma campanha aonde vimos o retrocesso da forma de fazer política, onde religião tomou o lugar de assuntos como saúde e educação, presenciamos a arrogância, a prepotência, e a falta de ética do presidente Lula. Ao contrario do que ele disse, não é Serra que sai menor e sim ele. 

A Serra resta a influência política que ele possui agora. Conhecido pela firmeza em suas decisões, Serra é um líder nato. “Para os que nos imaginam derrotados, eu quero dizer: nós apenas estamos começando uma luta de verdade...”, disse em discurso. Indicando que não encerrará sua carreira política, ele disse “Minha mensagem de despedida nesse momento não é um adeus, mas um até logo. A luta continua”. Resta-lhe tentar a prefeitura de São Paulo em 2012 ou uma improvável nova campanha presidencial. Pelo menos por enquanto, terá de buscar consolo no que disse a influente revista britânica "Economist" a seu respeito: "O melhor presidente que o Brasil nunca teve".

Para nós, resta torcer e ajudar para que o governo Dilma seja benéfico aos brasileiros. Que seja um governo democrático, conciliador, um governo de união e de muito trabalho. Mas acima de tudo, que seja um governo ético. Que ela não siga a política ética de Lula.

Parabéns Dilma! Vamos juntos trabalhar para o Brasil!