Agora eleita presidente, Dilma terá a sua disposição o parlamento que Lula sonhou e sempre quis ter: uma oposição quase dizimada.
Lula, que durante seus oito anos de mandato, apesar de não ter uma oposição que maciçamente lhe incomodava, tinha em alguns ícones algumas dores de cabeça. Inimigos mortais como os senadores Marco Maciel (DEM-PE), José Agripino (DEM-RN), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) que chegou a dizer que o presidente era “idiota ou corrupto”, entre outros que faziam uma oposição mais veemente. Pois bem, Lula tratou de passar um rolo compressor por cima de seus adversários, quis deixar para Dilma um congresso controlado pelo PT e pela base aliada. Usando a maquina governamental e um belo aparato de propaganda, Lula fez campanha contra seus adversários.
Dos poucos sobreviventes do rolo compressor, restaram o senador reeleito José Agripino, os senadores e Flexa Ribeiro (PSDB-PA), além dos goianos Lúcia Vânia (PSDB-GO) e Demóstenes Torres (DEM-GO). Todos sendo fortalecidos pelo apoio dos candidatos a Governador vencedores.
Vejam como fica o quadro de senadores em 2011:
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que será líder do partido no Senado a partir de 2011, admitiu que a complacência da oposição com o atual presidente Lula favoreceu a alta popularidade alcançada pelo governo e a transferência de votos para Dilma Rousseff (PT), contribuindo para a derrota de José Serra (PSDB) na eleição presidencial. Álvaro espera que a próxima bancada de oposição, embora menor, seja mais contundente. "Não podemos ser tão drásticos a ponto de afirmar que não houve oposição. Houve sim, mas não conseguimos dar volume a essa oposição. Ficou desigual a proporção do apoio com a oposição. Aí, é claro que prevalece, uma mentira repetida insistentemente acaba tornando-se verdade. Agora, a oposição vai ter que aprender com os erros, se organizar melhor e fazer uma oposição ativa, mais contundente", disse.
Na câmara de deputados a situação não é diferente. E agora temos um integrante ilustre: Tiririca. Virou noticiário internacional: “O palhaço que faltava no parlamento brasileiro”.
Desenhado o cenário desta forma, o governo Dilma é obrigado a fazer as reformas necessárias para o Brasil. Reforma tributaria, reforma política, reforma agrária, todas essas são de extrema importância para o país e foram deixadas de lado pelos governos anteriores, apesar do governo Lula ter desperdiçado ótimas oportunidades de alavancar as reformas. Agora, Dilma só não faz se não quiser!
Contudo, a diminuição da oposição pode trazer riscos ao governo Dilma. O PMDB é um partido ambicioso e já disse que quer manter a presidência da Casa. Dilma está nas mãos do PMDB, e sem oposição, eles podem fazer o que quiserem. Isto pode colocar em risco todo um processo de reforma política. A maioria das pessoas se esquece que a oposição não está ali para atrapalhar, mas para fiscalizar o governo e propor novos caminhos. Com a oposição dizimada não existirá fiscalização, e se com fiscalização tivemos mensalão, aloprados, corrupção na Casa Civil entre outros, imaginem agora o que vai ocorrer?!
Espero que não ocorram mais casos em um Congresso que é motivo de vergonha para o país. Mas a situação é muito preocupante. Espero que o parlamento dos sonhos de Dilma, não se transforme em um pesadelo para o povo brasileiro.



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