terça-feira, 27 de março de 2012

Num reencontro de "titãs", FHC visita Lula.





Os caminhos da política são realmente tortuosos. Grandes afinidades muitas vezes se perdem nas curvas acintosas das eleições. Ficam desapercebidas, até esquecidas completamente. E quando menos se espera, se reencontram.

Assim é a história de FHC e Lula...

Nesta terça (27/03), prestes a realizar os exames que atestarão se está mesmo livre do  tumor que lhe invadiu a laringe, Lula recebeu a visita de Fernando Henrique Cardoso. Reencontraram-se nas dependências do Hospital Sírio Libanês.

A cena hospitalar inicialmente espanta, mas espanando a poeira que recobre o passado escondido nos fundões da memória, lembramos que antes da histórica rivalidade, os dois já estiveram muito próximos. 

A lembrança do apoio do sindicalista Lula, em 1978, ao intelectual FHC, às voltas com sua primeira campanha ao Senado. O suplente de FHC, o advogado Maurício Soares, vinha do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Juntos com Lula, distribuíam panfletos numa kombi do sindicato. Nas portas de fábrica, o sindicalista apresentava o intelectual ao povão.

Nessa época, FHC e Lula dividiam ideias sobre a constituição de um partido socialista. Chegaram à primeira encruzilhada. Um preferiu alinhar-se à esquerda do velho MDB. O outro foi fundar o PT.

A opção por caminhos diferentes não bloqueou a amizade. Já no ano seguinte, o intelectual voltaria ao território do sindicalista para solidarizar-se com a primeira grande greve dos tempos da ditadura militar.

Preso em 1980, Lula receberia a visita de FHC. No dia do julgamento pelos militares, o intelectual abraçaria o sindicalista no tribunal. Voltariam a posar sob refletores nos comícios pelo movimento da Diretas Já.

No colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves, separaram-se novamente. Juntaram-se num palanque de segundo turno – Lula X Collor. Achegaram-se novamente nas articulações que levaram ao impeachment de Collor.

A partir daí, tomaram vias paralelas praticamente definitivas. Trocaram farpas nas duas campanhas presidenciais em que FHC prevaleceu sobre Lula, em 1994 e 1998. A transição de 2002 para 2003, pela civilidade, teve a aparência de um novo reencontro. Engano...

Lula impregnou na gestão de FHC o selo de “herança maldita”. Desde então, iniciaram uma rivalidade que contaminou seus partidos, além de discussões com uma oratória radioativa, infestada de expressões tóxicas.

Foi preciso um tumor para reaproximá-los. Ao olhar para Lula, FHC deve ter enxergado um espelho que reflete pedaços de sua própria história. No fundo dos olhos de FHC, Lula talvez tenha avistado uma parceria que a política sucumbiu.

Logo estarão, de novo, em campos opostos. Lula a defender Fernando Haddad, o candidato que “inventou” em São Paulo. FHC irá advogar a causa de José Serra, o candidato que o tucanato escolheu para defender a cidadela de São Paulo da hegemonia do petismo. São mesmo tortuosos os caminhos da política.


Em Alagoas, CQC mostra o jeito cômico do brasileiro de fazer política





Ontem, dia 26/03, o programa CQC apresentou uma reportagem sobre um desvio de cerca de 300 milhões de reais destinados para a folha de pagamento dos funcionários e mais 5 milhões que seriam destinados à construção de uma biblioteca e à compra de seus livros simplesmente sumiram. O que se viu foi um pouco de jeito brasileiro de fazer política.

Os deputados, que nunca sabem de nada, se esquivavam das perguntas jogando toda responsabilidade para a mesa diretora da câmara. Mas nas poucas respostas que obteve, tivemos uma “grande surpresa”. 

O deputado estadual Temóteo Correia (DEM), que é acusado de fazer parte do esquema que desviou os 300 milhões, confessou de forma no mínimo cômica que compra votos. Segundo ele é melhor “ajudar o eleitor com dinheiro” do que “beijar cabeça de menino”. Confesso que a principio não há como não rir da forma como o deputado se entrega. Ele fala tão tranquilamente, mas posteriormente tenta se explicar dizendo que não é bem uma compra, mas que ajuda as pessoas.  

Para completar a palhaçada, no fim da reportagem o deputado estadual Olávo Calheiros (PMDB) – não é mera coincidência, o deputado não tem o sobrenome Calheiros em vão, ele é irmão do senador Renan Calheiros – ao ser questionado sobre o caso, tenta dar um soco no repórter.
    
Ou seja, no Brasil, política é igual a um belo espetáculo trágico-cômico: um “grupo” realiza a mágica do sumiço de verbas; alguns fazem piada de tudo; outros fazem marmelada; e os palhaços nem preciso dizer... mas nesse caso, ao invés de cambalhotas ou malabarismos tivemos um belo golpe de UFC. Se cuida, Anderson Silva, Calheiros vem aí.

domingo, 25 de março de 2012

A prévia tucana... ou prévia Serrana




Hoje dia 25/03, iniciou-se as prévias tucanas para decidir quem serão os candidatos municipais no estado de São Paulo. Claro que o assunto que mais chama a atenção é a prévia tucana na capital paulista. Três disputam a vaga de candidato ao Palácio do Anhangabaú.

O mais conhecido, José Serra, é amplo favorito na disputa. Porém existem rumores sobre o descontentamento da militância com Serra, o que poderia provocar uma zebra chamada José Aníbal. Porém esse blogueiro que vos fala acha pouco provável que ocorra tal zebra. 

A militância pode até não gostar do nome Serra, nem de seus atos, nem de seu estilo de governar, porém, todos sabem que Serra é o tucano mais forte para vencer as eleições na capital, e é o único que pode bater de frente com a máquina petista.

O governador Geraldo Alckmin já declarou seu voto em Serra. FHC, outro tucano de peso, também disse que votou em Serra. 

No final das contas o PSDB tenta com as prévias se modernizar, dar um ar democrata e popular ao partido. Tenta atrair os jovens, mostrar a população que também escuta as “massas”. Tenta mostrar ao povo que o PT é autoritário e que os tucanos é que sabem o que é democracia. 

Veremos se a tentativa foi válida. Só resta esperar o resultado das prévias e se preparar para Lula e cia.  Mas que fique claro ao tucanato, Serra candidato não é um sinal de avanço, mas de estagnação. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

O fim de uma era. E Teixeira larga o osso!



Pois é, não há mal que dure para sempre. Depois de 23 anos no poder, Ricardo Teixeira não é mais presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nem do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 (COL). Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, na sede da entidade no Rio de Janeiro, José Maria Marin anunciou que o cartola renunciou aos cargos. O próprio José Marin, que é um dos cinco vice-presidentes de Teixeira, assumiu o cargo máximo do futebol brasileiro. Marin leu uma carta de Teixeira em que o dirigente dizia: "Hoje, deixo definitivamente a presidência da CBF". 

O ex-genro de João Havelange, Teixeira assumiu a CBF em 16 de janeiro de 1989. Com ele no comando, a Seleção conquistou duas Copas do Mundo (1994 e 2002), três Copas das Confederações (1997, 2005 e 2009) e cinco Copas Américas (1989, 1997, 1999, 2004 e 2007). O dirigente também criou a Copa do Brasil (1989) e transformou o Campeonato Brasileiro em disputa de pontos corridos, com turno e returno, a partir de 2003. Sua maior vitória foi conquistada em 2007: liderou a candidatura do Brasil para ser sede da Copa do Mundo de 2014 e, logo em seguida, tornou-se presidente do Comitê Organizador Local (COL).

Teixeira comemora sua eleição para presidente da CBF
Depois de tanto tempo não se imaginava que terminasse desse jeito. A era Teixeira sempre foi marcada por polêmicas desde sua candidatura. Com seu jeito arrogante, ele sempre deu de ombros para quem o criticava, passando por cima até de alguns presidentes como foi com FHC e Lula; nenhum deles conseguiu domar Teixeira.

Dilma foi um pouco mais eficiente, enfrentou o império da CBF em prol do sucesso da Copa. No congresso, viu-se o deputado federal Romário muito empenhado em sua queda, e assim o circulo em torno de Teixeira foi se fechando.

A série de denúncias feitas por meio da imprensa é apontada por quem tem intimidade com Teixeira como o principal motivo para sua saída. Ele já enfrentou ataques semelhantes em outras épocas, mas a velocidade da internet e a quantidade maior de veículos de comunicação atordoaram o cartola. Os veículos de imprensa digital que, ajudaram a derrubar algumas ditaduras pelo mundo, também ajudaram a derrubar o ditador da CBF.

De acordo com o Blog doPerrone, um aliado de Teixeira disse que a renuncia já estava planejada desde o inicio do ano. Acrescentou que o ex-presidente da CBF viajou para fora do país e deixou a carta-renúncia assinada para ser lida pelo interino José Maria Marin quando ele já estivesse longe. O que nos leva a constatar que se de fato Teixeira já viajou novamente para Miami ou para qualquer outro lugar, evitou o risco de encarar um pedido do Itamaraty para entregar seu passaporte.

Dirigentes de federações trabalhavam com a informação de que o Ministério Público se movimentava na Justiça e no Itamaraty para impedir que Ricardo saísse do Brasil antes de ser concluído o processo sobre suspeita de superfaturamento de amistoso da seleção em Brasília. A partida envolveu dinheiro público.

Agora inicia-se uma nova era no futebol brasileiro, assim como disse Romário: “Exterminamos um câncer”. Mas é preciso cuidar para que um novo câncer não apareça e se desenvolva. Afinal, o pupilo de Teixeira, Andrés Sanchez é diretor da CBF, e tem grandes chances de torna-se presidente da entidade nas próximas eleições.

Mas é isso, os últimos anos tem sido surpreendentes no quesito politico, e comparo a saída de Teixeira da CBF à saída de Fidel do comando de Cuba: nunca pensei que largariam o osso vivos! 

Nunca pensei que Fidel Castro sairia vivo da chefia de Cuba... saiu; nunca pensei ver um negro presidente dos EUA... Obama foi eleito; nunca pensei que uma mulher seria presidente do Brasil... Dilma foi eleita; nunca pensei que pegariam o Osama... dizem mataram ele; nunca pensei que Ricardo Teixeira sairia da CBF... saiu! Isso são indícios muito fortes de que os maias estão certos... o mundo acaba em 2012!!!